terça-feira, 19 de março de 2013

Resenha da obra No meio da noite escura tem um pé de maravilha: contos folclóricos de amor e aventura


Resenha

 

AZEVEDO, Ricardo. No meio da noite escura tem um pé de maravilha: contos folclóricos de amor e aventura. 10. Reimpressão. São Paulo: Ática, 2008.
 

 
Por: Delba Tenorio Lima Patriota Villela

 

O escritor e desenhista paulistano Ricardo Azevedo refere-se à sua obra No meio da noite escura tem um pé de maravilhas, como “uma coletânea de contos muito antigos, criados e guardados na memória do povo, que vêm sendo contados de boca em boca desde que os portugueses chegaram ao Brasil e até antes, pois os índios também contavam e ainda contam belas histórias”. (2008, p. 118).

Neste trabalho, Azevedo entrega aos leitores uma seleção de “causos” ameaçados pelo esquecimento, os quais o autor intenta preservá-los através da escrita, pois teme pelo seu desaparecimento. São dez contos que, a partir de uma linguagem simples e coloquial, estreitam relações com o leitor, ao mesmo tempo em que tentam buscar, na memória coletiva, fatos que os aproximam. Como escreve o autor, “são contos que falam de assuntos que interessam a todas as pessoas”, (2008, p.119).

A começar pelos títulos, a obra já aguça no leitor a vontade de conhecer suas histórias. A coletânea é composta pelos seguintes contos: “Moço bonito imundo”, “A mulher dourada e o menino careca”, “O príncipe encantado no reino da escuridão”, “Coco Verde e Melancia”, “A mulher do viajante”, “Os onze cisnes da princesa”, “O filho do ferreiro e a moça invisível”, “Dona Boa-Sorte mais Dona Riqueza”, “As três noites do papagaio” e “O filho mudo do fazendeiro”, terminando com uma entrevista ficcional – “Entrevista para um papagaio” – na qual o escritor comenta sobre a obra.  

No entanto, além de registrar os contos, Azevedo os ilustra de modo surpreendente. Ao lançar mão da arte da xilografia nos transporta à literatura popular regional, como aos cordéis nordestinos, fazendo com que a gama de histórias contadas e recontadas por sucessivos ouvintes chegue ao público atual despertando grandes expectativas.

Tal forma de narrar os fatos faz com que o autor dialogue de pronto com um público especial: o infantil; pois esses leitores, além de curiosos, têm uma recepção ávida por histórias que compartilham o lúdico, o fantástico e o imaginário, artifícios muito bem explorados pelo escritor da obra No meio da noite escura tem um pé de maravilha.

Porém, dentre os contos relacionados, quatro se destacam por tratar de temáticas comuns a muitos indivíduos: “Moço bonito imundo”, “Coco Verde e Melancia”, “A mulher do viajante” e “Dona Boa-Sorte mais Dona Riqueza”.

“Moço bonito imundo” traz questões que abordam temas como perdas, coragem, sacrifícios e perseverança; situações e atitudes que fazem parte da nossa caminhada e nos ajudam a amadurecer para enfrentar os problemas e conflitos a nós inerentes.

Em “Coco Verde e Melancia” são apontadas situações familiares que enfocam como o relacionamento proibido entre os personagens principais. Situações que podem ser vivenciada nos dias de hoje entre pessoas de classes sociais diferentes.

“A mulher do viajante” destaca sentimentos como a inveja, injustiça, coragem, esperança, perdão e amor. Ações comuns que vivemos e que nos ensinam a praticar a tolerância e a prudência, a fim de nos proteger dos problemas advindos das aparências das coisas e da persuasão das pessoas.

“Dona Boa-Sorte mais Dona Riqueza”, revela ao leitor que dinheiro não resolve todos os problemas, e que saber usá-lo é o segredo do sucesso, também, que é preciso ter sabedoria para aproveitar as oportunidades que nos são dadas.

Ao recontar “causos” folclóricos de amor e aventura, Azevedo retoma antigos costumes e conceitos de outras culturas (portuguesa, indígena e africana), de forma com que os leitores possam interagir com os personagens retratados. Além disso, possibilita aos jovens conhecer valores e conceitos de tempos e lugares da História que não fazem parte do seu cotidiano. Os contos também instigam os leitores mirins a reavaliarem as suas ações diante dos problemas do seu dia a dia, como fazem os heróis dos contos que lutam para se conhecer melhor, ou até mesmo a tomá-los como inspiração diante de novos desafios e imprevistos aos quais estão sujeitos, ressignificando os contos que lhes são apresentados.

Há várias formas de se abordar o conteúdo de um conto: através da oralidade, como faziam os sábios de outrora ao repassá-los aos mais jovens; o ato do pai de contar ao filho um causo, usando-o como pretexto para orientá-lo ou para acalentá-lo; ou de maneira fantástica despertando a curiosidade e a imaginação dos leitores, como é o caso do escritor dos contos apresentados.

Diante do exposto, percebemos que a obra de Azevedo apresenta muitas facetas positivas. O que nos possibilita trabalhar com crianças e adolescentes na contextualização das temáticas abordadas, bem como criar uma ótima oportunidade para o exercício da leitura, da interpretação textual e da produção de texto, momentos de desenvolvimento de várias capacidades discursivas.

Um comentário:

  1. O livro de Ricardo Azevedo "No meio da noite escura tem um pé de maravilha" é realmente maravilhoso, com contos cativantes, que trabalham o lado lúdico das crianças.Li alguns contos do livro para minha sobrinha de 4 anos e ela adorou, agora ela pede sempre para eu ler para ela.

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